berros
atiçar seu gesto - constranger os corpos - convidar à expansão - cuidar da segurança - uma esfera de liberdade - com a verdade de uma criança - meu corpo voz mente pé unha ponta dos dedos quer tocar em tudo - redescobrir o espaço e a si mesmo - retomar ao operatório motor sensorial - comparar a minha vida com a minha própria vida - tem tempero, duçor, verdade e vontade. compreender o presente como essa coisa que importa por si só. não há demandas para impor ao que somos agora. só há a entrega a coragem a negociação. tentados, todo corpo não se nega a verdade de uma experiência. há entrega, há desejo, há o berro. o peixe parado não cai. o passarinho tem asas mas nem sempre está voando. esse céu que eu vejo é também o céu que você vê lá. escorregando nas poças do desejo que pinga desses movimentos. o estômago revirou: despejei o que me alimentou pelo ralo. um toque aveludado na guela. foi como atravessar a garganta de um monstro. a isca foi mordida. a linha rasgou o buraco, penetrou a forma, incorporou. abocanhando todas as chances de revirar de cabeça para baixo as oportunidades que caço. sigo mastigando o tanso desejo.

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berrinhos, série Berros, 2025
bastão oleoso sobre papel
30x42cm unidade
atravessando a garganta de um monstro, série Berros, 2026
bastão oleoso sobre papel
84,1x59,4cm cada (triptico)
sem título, série Berros, 2025
bastão oleoso sobre papel
145x100cm