bagulhos
uma dança que é só tombo. sem paragem não se consegue estabelecer o sentido real das coisas. aparato sensorial desorientado. movimento desnorteado. não há vínculo com o que está acontecendo. todos com medo, medo de errar medo de cair - o levantar não existe enquanto fenômeno de força. bagulhos são a minha chance de errar. de não saber o que fazer e ainda sim, encarar. estou esmagada. quero ser engolida por outro movimento, o da coragem - o do questionamento - o da tentativa, mesmo na luta perdida. todo este corpo resiste em ceder. descobrirei os nossos limites para acentuar cada vez mais a consciência do que estamos fazendo. respeitar esses limites e rompê-los e amá-los e educá-los. o corpo foi espetado, foi o alimento de cada passo. toda andança virou aposta. na superfície é visível todo o risco corrido. me cerquei da mais inquestionável verdade: eu não tenho verdade alguma.





sem título, série bagulhos, 2026
lápis grafite sobre papel
97x67cm
bagulho evocando estado de mexeção, série bagulhos, 2024
lápis grafite sobre papel
97x67cm
amputada de gestos, série bagulhos, 2022
lápis grafite sobre papel
30x42cm
exercícios, série bagulhos, 2025
lápis grafite sobre papel
42x30cm cada
sozinha não me basto, série bagulhos, 2022
lápis grafite sobre papel
42x30cm