bagulhos
uma dança que é só tombo. sem paragem não se consegue estabelecer o sentido real das coisas. aparato sensorial desorientado. movimento desnorteado. não há vínculo com o que está acontecendo. todos com medo, medo de errar medo de cair - o levantar não existe enquanto fenômeno de força. bagulhos são a minha chance de errar. de não saber o que fazer e ainda sim, encarar. estou esmagada. quero ser engolida por outro movimento, o da coragem - o do questionamento - o da tentativa, mesmo na luta perdida. todo este corpo resiste em ceder. descobrirei os nossos limites para acentuar cada vez mais a consciência do que estamos fazendo. respeitar esses limites e rompê-los e amá-los e educá-los. o corpo foi espetado, foi o alimento de cada passo. toda andança virou aposta. na superfície é visível todo o risco corrido. me cerquei da mais inquestionável verdade: eu não tenho verdade alguma.



